CLUBE DE ASTRONOMIA DE SÃO PAULO
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Os ATMs do CASP

Quem são os ATMs do CASP

O objetivo do grupo de ATMs do CASP, é construir um telescópio Newtoniano de potência média, de 150 mm de abertura (diâmetro da objetiva), gastando o mínimo possível e conseguindo ter um instrumento de boa qualidade ótica. Para isso, estamos nos baseando no livro Como Construir um Telescópio, de Joaquim Garcia, Editora Presença Martins Fontes, Portugal: "Pretendemos, com o aparecimento deste trabalho, divulgar os ensinamentos necessários para que qualquer pessoa, não iniciada em óptica prática, mas com um pouco de habilidade, seja capaz de construir um telescópio, que possa trazer satisfação aos seus anseios, com um mínimo de despesas, para além do prazer de uma realização pessoal. Existe a idéia errada de que é impossível o fabrico de peças de óptica de precisão por meios rudimentares. Construir um telescópio não podemos dizer que seja tarefa fácil. Afirmamos, no entanto, que mais de uma centena de pessoas o têm conseguido com indicações nossas, e isto nos parece, de facto, uma garantia daquilo que nos propomos ensinar através da leitura atenta deste manual. Do acolhimento dispensado, se poderá pensar num trabalho em continuação, com maior desenvolvimento, abordando, até, outros tipos de telescópios. Oxalá o livro possa, por pouco que seja, contribuir para o desenvolvimento do Amadorismo Astronómico em Portugal. Essa seria a nossa maior satisfação.".

Por que 150 mm?

A espessura de vidros comum aqui no Brasil é de até 19 mm, e com essa espessura, dá para se fazer um espelho esférico de 150 mm de diâmetro e 1250 mm de distância focal sem comprometer muito trações, pontos de apoio, etc. O primeiro passo foi pesquisar onde comprar espelho de 19 mm (dizem 20, mas só tem 19). Telefonei para a Divinal Vidros (R. Pe. Carvalho, 730 – São Paulo – Tel.: 3037-2966), que corta o vidro em formato redondo com as arestas aparadas. Um vidro de 150 mm de diâmetro por 19 mm de espessura ficava por volta de R$ 80,00 e o de 10 mm R$ 40,00. Procurei o vidro em algumas vidraçarias e, perguntando o preço, descobri que sempre girava em torno dos valores acima.

Encontrei na Vidraçaria Nhambiquaras (Al. dos Nhambiquaras, 440 – São Paulo – Tel.: 5054-0336, falar com Fábio) um vidro com 115 mm de diâmetro que estava sendo utilizado como peso de papel e, conversando com o Fábio, acabei conseguindo a peça. Encomendei um vidro quadrado 200 x 200 mm por R$ 50,00, pois eu queria cortá-lo. Conversei com o Zé Augusto e falei sobre os vidros, ele topou e encomendou um de 19 mm e um de 10 mm por 150 mm de diâmetro, que sai por R$ 120,00. Conversando com um cliente, o Raul, descobri que ele serve, por sua vez, uma vidraçaria e fomos até lá. Consegui um pedaço de vidro de 19 mm medindo aproximadamente 60 cm x 40 cm (era um pedaço de um tampo de mesa) e outro de 10mm 40 x 30 cm. Ou seja, podem-se conseguir pedaços que, às vezes, custam muito pouco ou nada. Como o próprio Joaquim fala, basta procurar em casas de sucatas.

Comprei o carborundum (nas granulações 80, 120, 220, 320, 400, 600 e 800) e óxido de cério na firma M. Almeida (r. dos Protestantes, 173 – com o Sr Martins – 3333-6511). Os preços variam entre R$ 5,95 e 11,00 o carborundum e R$ 61,80 o óxido de cério e também duas pedras de carborundum 120 e uma lima triangular. As quantidades são um quilo de cada uma das granulações de 80, 120, 220 e 500 gramas de cada um dos outros. O gasto de carborundum foi de aproximadamente R$ 90,00.

Construi a fresa como o Joaquim fala no livro e fui cortar o vidro. Faz muito barulho e demorou mais ou menos duas horas para o de 10 mm e aproximadamente três horas o de 19 mm. Por isso, tem que se pensar se vale a pena economizar dinheiro ou tempo. Fomos o Zé e eu para a casa de minha mãe e construímos um Foucault. Além disso, terminei de cortar o disco de 19 mm.

O próximo passo foi ralar e ralar e ralar e ralar os espelhos. Apesar de o Joaquim falar em construir uma bancada, que será utilizada mais tarde como suporte do tubo do telescópio, a montagem, como é chamada, optamos por não a construir agora, pois dá para trabalhar o espelho sobre uma pia normal.

Desbaste – 1ª fase

O desbaste se faz colocando o espelho sobre a ferramenta, estando o centro do espelho acerca de 1 cm do bordo dela, e efetuando os três movimentos básicos, que são: vaivém, rotação do espelho e movimento em volta da bancada (no nosso caso, estamos utilizando os movimentos da seguinte forma: vaivém (10 vezes), rotacionar o conjunto espelho+ferramenta 90º, rotacionar o espelho 30º ). Primeiramente, espalha-se uma colher de chá de carborundum sobre a ferramenta, adiciona-se um pouco de água e põe-se o espelho sobre a ferramenta coberta com o carborandum umedecido. Começa-se, então, a série de 10x de vaivém e, em seguida, rotaciona-se primeiro o conjunto e, depois, o espelho. Continua-se nesse processo até que não se ouça mais o barulho característico do roçar do carborundum no vidro. Quando isso acontecer, colocar mais carborundum e começar novamente o processo. Quando fica com muita “pasta de lama”, deve-se lavar o conjunto e começar novamente. Para verificar se já se tem a distância focal correta, que é quando se obtiver a concavidade desejada do espelho, cerca de 1,2 mm de flecha, correspondente a distância focal de 1250 mm. Esta verificação pode ser feita de três formas:

  • Utilizando-se o Sol: Procurar um local onde o espelho possa apanhar Sol diretamente; colocar água sobre o espelho e deixar escorrer, sem enxugar, para poder refletir; virar o espelho para o Sol e procurar a imagem de menor dimensão no alvo; o alvo pode ser uma parede ou uma cartolina branca; a distância entre o espelho e o alvo, é a distância focal do espelho. Por este processo, obtemos a focal do espelho com uma precisão de aproximadamente 5 cm, o que basta para o momento;
  • Com uma régua e uma broca: colocar uma broca com 1,2 mm de diâmetro com a extremidade não afiada virada para o centro do espelho; pôr a régua por cima e verificar se esta não oscila e se apóia simultaneamente nos bordos do espelho. Quando isso acontecer, atingiu-se aproximadamente a concavidade requerida;
  • A utilização de um esferômetro só se justifica em uma oficina de ótica, devido a seu preço.

Continua...

Dorival da Silva Reis